quinta-feira, maio 7

Relatório dos EUA sugere que conflito no Irã pode ter inspirado ataque a Trump

O Departamento de Segurança Interna (DHS) dos Estados Unidos destacou a guerra no Irã como uma das possíveis razões para a tentativa de assassinato do presidente Donald Trump, ocorrida em abril durante um jantar com jornalistas na Casa Branca. Em um relatório oficial, divulgado nesta quarta-feira, 6, pela agência de notícias Reuters, a insatisfação relacionada ao conflito foi identificada como um possível catalisador para o ataque.

Elaborado pelo Escritório de Inteligência e Análise do DHS, o documento datado de 27 de abril menciona que o autor do atentado, Cole Allen, possuía “várias queixas sociais e políticas” ligadas à administração Trump. A investigação revelou que as redes sociais de Allen continham diversas postagens que criticavam as ações dos Estados Unidos na guerra, levando à conclusão de que o conflito “pode ter influenciado sua decisão de realizar o ataque”.

Após o incidente no final de abril, o relatório foi compartilhado com agências policiais estaduais e outros órgãos federais. O documento chegou até a Reuters por meio de solicitações feitas pela ONG Property for the People. Até o momento, as autoridades americanas mantêm uma postura discreta em relação às motivações do suspeito.

Um alto funcionário do FBI, que preferiu não ser identificado, informou que a agência está analisando minuciosamente as redes sociais de Allen, tendo rastreado uma série de postagens contrárias a Trump feitas em uma conta da plataforma BlueSky nas semanas anteriores ao ataque. Essas publicações não apenas criticavam as ações dos EUA no Irã, mas também abordavam as políticas migratórias da administração Trump, além de fazer referências negativas ao magnata Elon Musk, ex-chefe do Departamento de Eficiência Governamental, e à guerra na Ucrânia.

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Contexto do ataque

Cole Allen, um engenheiro mecânico graduado pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia e com 31 anos, tentou invadir o tradicional jantar entre Trump e jornalistas realizado no Washington Hilton Hotel em 25 de abril. Durante o evento, ele entrou em confronto com agentes do Serviço Secreto, resultando em uma evacuação apressada do presidente.

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Posteriormente, um manifesto escrito por Allen e enviado a seus familiares foi divulgado. Nele, ele expressava seu desejo de assassinar autoridades do governo Trump e declarou que “passaria por praticamente qualquer pessoa para alcançar seus alvos”. Além disso, rotulou o republicano como um “pedófilo, estuprador e traidor”, afirmando que os participantes do evento seriam seus “cúmplices”.

No dia 5 de outubro, o Departamento de Justiça dos EUA adicionou à lista de acusações contra Allen o crime de agressão a um agente federal. Conforme relatado pelo órgão, ele teria efetuado disparos contra um membro do Serviço Secreto durante uma verificação de segurança. O suspeito já enfrenta acusações por tentativa de assassinato, uso ilegal de arma em crime violento e transporte ilegal de armas e munição através das fronteiras estaduais.
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