
Na última quarta-feira, 20, o secretário de Defesa do Reino Unido, John Healey, informou que um jato da Rússia esteve próximo de colidir com um avião espião da Força Aérea Real (RAF) que voava a 800 km/h sobre o Mar Negro. Segundo ele, Moscou expôs a possibilidade de acidentes e uma crise diplomática ao longo de dois episódios distintos no mês anterior.
No primeiro incidente, um caça russo Su-27 fez seis passagens rasantes em frente ao River Point, uma aeronave desarmada. Em outro momento, enquanto o avião britânico executava uma missão de monitoramento no espaço aéreo internacional, o caça russo aproximou-se tanto que acionou sistemas de emergência, levando à desativação do piloto automático, conforme relato de Healey.
Healey caracterizou essa ocorrência como mais um exemplo do comportamento imprudente e inaceitável dos pilotos russos em relação a aeronaves desarmadas em operação no espaço aéreo internacional. Ele enfatizou que tais ações aumentam os riscos de acidentes e podem precipitar uma escalada do conflito.
“É importante deixar claro: esse incidente não vai abalar o compromisso do Reino Unido com a defesa da Otan, nossos aliados e nossos interesses contra a agressão russa”, acrescentou Healey.
A aeronave Rivet Joint, com capacidade para acomodar até 30 tripulantes, é equipada para realizar vigilâncias eletrônicas em um raio de aproximadamente 240 quilômetros. Esta aeronave foi utilizada também para monitorar atividades russas durante patrulhas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a principal aliança militar ocidental.
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Escalada das tensões
No mês passado, Healey revelou que o Reino Unido monitorou três submarinos russos que permaneceram próximos a infraestruturas submarinas críticas no Atlântico Norte por um período de um mês. Esses incidentes refletem o aumento das tensões na Europa, que enfrenta diversas violações do espaço aéreo enquanto os ataques aéreos da Ucrânia contra a Rússia se intensificam.
<pRecentemente, moradores de Vilnius, capital da Lituânia, foram aconselhados a buscar abrigo após um alerta sobre presença de drones na fronteira com Belarus, aliada da Rússia. O presidente Gitanas Nauseda e a primeira-ministra Inga Ruginiene foram levados para locais seguros enquanto uma ordem de evacuação foi emitida no Parlamento lituano, conhecido como Seimas. O espaço aéreo sobre o aeroporto de Vilnius também foi fechado.
No dia 19, um jato militar da Otan derrubou um drone considerado ucraniano sobre a Estônia. O ministro da Defesa estoniano, Hanno Pevkur, informou que o drone foi abatido por um caça F-16 pertencente à Força Aérea romena. Da mesma forma, Letônia também emitiu alertas relacionados a drones e orientou os habitantes das cidades próximas à fronteira russa a permanecerem em suas residências. Caças da Polícia Aérea da Otan no Báltico foram mobilizados conforme indicado pelo Exército letão.
A Ucrânia tem intensificado seus ataques com drones de longo alcance contra alvos na Rússia nos últimos dias, abrangendo regiões do Báltico. Desde março, vários desses dispositivos invadiram o espaço aéreo de países membros da Otan como Finlândia, Letônia, Lituânia e Estônia, todos fazendo fronteira com território russo. A crescente insatisfação popular em resposta às incursões resultou na renúncia do governo letão na semana passada.
