
Na quarta-feira, 15, o Catar recebeu a visita do ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, que se deslocou ao país como parte de sua missão para honrar a memória do falecido ex-emir Hamad bin Khalifa Al Thani. Embora a justificativa oficial da visita tenha sido esta homenagem, as autoridades cataris estão também empenhadas em preservar o acordo de trégua entre a república islâmica e os Estados Unidos, especialmente em um contexto de intensificação das hostilidades que ameaçam desestabilizar ainda mais a região.
Durante sua estadia no Catar, Araghchi se encontrará com líderes locais e oferecerá suas condolências pela morte do xeque, que faleceu no último domingo aos 74 anos. Ele foi governante do Catar entre 1995 e 2013, conforme informações divulgadas por seu ministério.
A visita acontece em um momento crítico, marcado pelo aumento das tensões entre o Irã e os Estados Unidos, o que complica os esforços para alcançar uma resolução pacífica ao conflito que teve início em 28 de fevereiro com os bombardeios promovidos por Israel e pelos EUA.
Os conflitos foram reavivados em 7 de julho após ataques a embarcações no Golfo atribuídos ao Irã. Os bombardeios subsequentes têm se mostrado os mais intensos desde a trégua estabelecida em abril.
<pRecentemente, o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baqaei, declarou que o Irã não se sentiria obrigado a cumprir suas responsabilidades dentro do acordo caso os Estados Unidos adotassem uma postura semelhante. No entanto, ele enfatizou que Teerã continua dialogando com mediadores do Catar, do Paquistão e de Omã para evitar uma escalada ainda maior dos conflitos.
No último dia 10, uma delegação catariana esteve em Teerã para discussões sobre a situação. O primeiro-ministro catari, xeque Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, fez um apelo para que tanto os EUA quanto o Irã retomem as negociações. “É essencial que todas as partes se comprometam com o diálogo e com a diplomacia”, afirmou ele, ressaltando a necessidade de implementar o memorando de entendimento previamente acordado.
Desestabilização regional
O Irã anunciou uma nova série de bombardeios em sua território nesta quarta-feira, 15, e retaliou atacando instalações americanas em diversos países da região do Golfo. A Guarda Revolucionária Islâmica informou ter realizado ataques direcionados a centros logísticos e de comando pertencentes à Quinta Frota dos EUA no Bahrain.
No Kuwait, onde mísseis e drones causaram ferimentos em quatro militares na terça-feira passada, novos ataques foram relatados nesta quarta. O governo iraniano confirmou ter bombardeado um centro logístico kuwaitiano situado em Mina Abdullah, utilizado pelas forças armadas americanas.
Ainda nesta manhã, o Exército da Jordânia informou ter interceptado três mísseis balísticos que sobrevoaram seu espaço aéreo. Segundo relatos da mídia estatal iraniana, os projéteis tinham como alvo hangares na base aérea Al Azraq e uma instalação abrigo caças F-18.
A Guarda Revolucionária Islâmica também declarou que o Estreito de Ormuz permanecerá “fechado até que os Estados Unidos cessem suas ações agressivas”, segundo comunicado veiculado pela televisão estatal. Além disso, mencionou um possível fechamento “de outras rotas de exportação de petróleo e gás que atendem aos interesses dos EUA e seus aliados”, fazendo referência ao Mar Vermelho, onde rebeldes hutis do Iémen já realizaram bloqueios durante o conflito em Gaza.
Protocolo “desmantelado”
Diante do retorno do bloqueio naval americano, o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Kazem Gharibabadi, alegou que Washington “desmantelou” qualquer protocolo de acordo existente.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump , fez novas ameaças ao Irã esta semana, afirmando que ampliará as operações militares na próxima semana para atingir usinas elétricas e pontes caso Teerã não retorne às negociações.
A disputa pelo controle do Estreito de Ormuz é central para essa nova onda de hostilidades. Ataques iranianos direcionados contra cargueiros na rota denominada Oman provocaram represálias americanas seguidas por disparos contra bases militares dos EUA na área. As tensões aumentaram quando Trump anunciou que Washington passaria a controlar essa importante rota marítima — ação pela qual exigiria pagamento — mas recuou após reações negativas nos mercados financeiros ao desistir da taxa de 20% sobre as cargas atravessando o estreito.
Neste clima tenso, nesta manhã o Irã relatou uma quarta rodada consecutiva de bombardeios em seu território nas áreas de Bandar Abbas e na ilha Qeshm — localizadas no Estreito de Ormuz — além da cidade de Ahvaz no sudoeste do país. O Exército local informou ainda que sete soldados foram mortos devido aos ataques americanos contra um quartel na cidade de Iranshahr, situada a cerca de 1.500 km da capital Teerã.
A Central Command (Centcom) dos EUA declarou que os bombardeios visaram “instalações relacionadas aos mísseis e drones iranianos, capacidades navais e sistemas defensivos costeiros”.
No início da semana passada, Trump enviou uma notificação oficial ao Congresso informando sobre o reinício das hostilidades iniciadas em 28 de fevereiro devido aos ataques israelenses e americanos contra o Irã.
