
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, fez um discurso provocativo na Assembleia Geral das Nações Unidas nesta quarta-feira, 23, marcando sua primeira fala desde o início da guerra contra seu país, que começou em fevereiro após ataques conjuntos de Washington e Tel Aviv.
Pezeshkian não hesitou em apontar o governo do presidente norte-americano, Donald Trump, como responsável por “terrorismo”, mencionando o assassinato do ex-líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei. Durante sua apresentação na ONU, ele exibiu uma imagem do líder falecido e reiterou que Teerã não foi o responsável pelo conflito atual que se alastrou pelo Oriente Médio.
Na terça-feira, o presidente Trump havia afirmado no mesmo evento em Nova York que estava considerando a possibilidade de “aniquilar” o Irã. Entretanto, ele também reconheceu a importância dos diálogos entre Teerã e Washington para encontrar uma solução pacífica. Apesar disso, Pezeshkian não fez menção às discussões informais ocorrendo durante a assembleia da ONU para resolver o impasse.
“Trump deve estar ciente de que a resistência do povo iraniano somente se fortalecerá diante das sanções e da pressão crescente. Nunca nos curvaremos ou aceitaremos submissão”, declarou ele enfaticamente.
Mais cedo, as Forças Armadas iranianas já haviam respondido às declarações de Trump. Em um comunicado emitido pela agência de notícias Mehr, destacaram que a fala do presidente dos EUA sobre uma possível “aniquilação” é um reflexo não de força, mas sim de desespero estratégico por parte de Washington.
Trump expressou: “Estou diante de uma grande decisão… Devo assinar um acordo com o Irã que permita ao país se reerguer e se tornar maior do que nunca? Ou devo optar pela aniquilação da República Islâmica, garantindo que nunca mais eles voltem a causar morte e destruição?”
De acordo com as Forças Armadas do Irã, Trump utilizou sua plataforma nas Nações Unidas para tentar justificar as ações agressivas contra seu país. O comunicado ainda alertou que o Irã está preparado para responder com ataques que poderão ser “mais devastadores e menos previsíveis” do que os anteriores direcionados aos Estados Unidos e Israel.
A escalada das ameaças ocorre em um contexto onde a guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel já dura mais de seis meses sem um cessar-fogo efetivo. Recentemente, na segunda-feira, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, advertiu que as companhias aéreas iranianas terão suas operações suspensas globalmente nesta quarta-feira, devido às sanções impostas pelos Estados Unidos.
Bessent afirmou à CNBC: “A partir de 23 de setembro, todas as companhias aéreas iranianas interromperão suas atividades em nível mundial. Se tentarem pousar, não receberão reabastecimento nem serviços essenciais; além disso, quem vender passagens será excluído do sistema financeiro baseado no dólar”.
