
Durante um discurso em homenagem ao presidente do STF, Edson Fachin, o ministro Gilmar Mendes aproveitou a ocasião para tecer críticas sutis ao colega André Mendonça, especialmente em relação ao seu papel nas investigações envolvendo o Banco Master e as fraudes no INSS.
Nas últimas semanas, Gilmar Mendes tem expressado publicamente sua insatisfação com Mendonça, acusando-o de ter interesses eleitorais em suas ações. A tensão entre eles culminou em uma discussão acalorada durante uma sessão do plenário do STF há duas semanas.
O pronunciamento de Gilmar ocorreu em comemoração a um ano da presidência de Fachin no Tribunal. Ele destacou a atuação de Fachin como relator da Operação Lava Jato, enfatizando que, nesse período, não houve “vazamentos seletivos” ou “uso político-eleitoral” das investigações, pontos que têm sido alvo de suas críticas a Mendonça.
“Naquela época, ministro Fachin, não registramos vazamentos seletivos nos nossos gabinetes, apesar da delicadeza dos documentos sob nossa responsabilidade, nem qualquer ação que indicasse um uso político-eleitoral das apurações”, afirmou Mendes.
Gilmar Mendes, conhecido por sua posição contrária à Lava Jato no STF, recordou que frequentemente discordou de Fachin. No entanto, ressaltou que ambos compartilhavam a convicção de que o juiz não deve ser parte do processo judicial.
“Nossas decisões muitas vezes divergiram em direções opostas devido a diferentes interpretações do processo penal. Contudo, essa discordância nunca comprometeu o que nos unia: a crença de que o juiz não pode ser parte nem instrumento de nenhuma causa”, disse Mendes.
