quarta-feira, abril 15

EUA e Irã consideram prorrogar trégua por mais 14 dias, conforme reportagem

Uma fonte próxima às negociações revelou que os Estados Unidos e o Irã estão analisando a possibilidade de prorrogar o cessar-fogo por mais duas semanas. A intenção é criar um espaço adicional para as conversas sobre um acordo de paz, conforme noticiado nesta quarta-feira, 15, pela Bloomberg. Essa extensão visa diminuir o risco de retomada dos conflitos, especialmente em meio à escalada das tensões no Estreito de Ormuz.

Informações obtidas pela Reuters indicam que os mediadores estão progredindo nas discussões sobre uma possível ampliação do prazo. As partes envolvidas estão empenhadas em diálogos técnicos para resolver as disputas que dificultam um entendimento que se estenda além da trégua inicial, que se esgota na próxima semana.

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A Casa Branca anunciou na terça-feira que está explorando a realização de uma nova rodada de negociações de paz com o Irã, desta vez no Paquistão, e demonstrou otimismo em relação à possibilidade de um consenso.

A secretária de imprensa Karoline Leavitt afirmou aos jornalistas que “as discussões estão em curso” e expressou confiança nas perspectivas para um acordo, mencionando que novas tratativas “provavelmente” acontecerão em Islamabad.

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Os principais pontos de discordância entre as partes giram em torno do programa nuclear do Irã e da influência da República Islâmica sobre o Estreito de Ormuz, uma importante rota marítima responsável por 20% do petróleo mundial. Desde o início do conflito, esta passagem tem sido fechada para embarcações não alinhadas ao regime iraniano.

No contexto atual, o presidente Donald Trump ordenou à Marinha dos EUA que impusesse restrições ao acesso iraniano ao estreito, bloqueando também navios de qualquer nacionalidade que tentem acessar os portos do Irã. Uma frota composta por mais de doze navios de guerra está posicionada no Golfo de Omã e no Mar Arábico para assegurar a eficácia desse bloqueio, podendo receber reforços em breve.

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Na terça-feira, Trump sugeriu que uma nova rodada de negociações sobre o cessar-fogo poderia ocorrer “nos próximos dois dias”. Ele insinuou que as tratativas para uma reunião futura estavam em andamento e expressou descontentamento com algumas decisões tomadas pelos negociadores americanos durante as discussões infrutíferas do fim de semana.

<spanEm uma conversa telefônica com um repórter do NY Post enquanto estava em Islamabad, Trump inicialmente considerou improvável a realização de novas negociações no Paquistão após os resultados decepcionantes anteriores. Contudo, minutos depois do término da primeira rodada de conversas, ele recomendou aos jornalistas permanecerem no país paquistanês, pois algo significativo poderia ocorrer nas próximas 48 horas.

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“Vocês deveriam ficar lá porque algo pode acontecer nos próximos dois dias e estamos mais propensos a ir até lá”, declarou Trump. Ele elogiou o Marechal-de-Campo Asim Munir, chefe das Forças Armadas paquistanesas e mediador entre Washington e Teerã, afirmando: “É mais provável, sabe por quê? Porque ele está fazendo um excelente trabalho”.

Trump também se mostrou insatisfeito com informações sobre propostas feitas pelos negociadores dos EUA liderados pelo vice-presidente J.D. Vance, que sugeriram ao Irã uma pausa no enriquecimento de urânio por duas décadas. “Eu sempre disse que eles não podem ter armas nucleares”, comentou Trump, “portanto não estou satisfeito com essa proposta de 20 anos”.

No último domingo, 12, após 21 horas de discussões em Islamabad, as conversações entre os EUA e o Irã terminaram sem um acordo concreto, gerando frustração em ambos os lados. O vice-presidente Vance afirmou que os representantes iranianos rejeitaram os termos considerados “bastante flexíveis” oferecidos por Washington. Por outro lado, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Ghalibaf, líder da delegação iraniana na reunião, destacou que os EUA falharam em conquistar a confiança necessária de Teerã.

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O tenente-general paquistanêsMuhammad Saeed, diretamente envolvido nas negociações, afirmou que Teerã demonstrou certa “flexibilidade” em relação ao enriquecimento de urânio — embora isso tenha suas condições. “O Irã precisa apresentar algo ao seu povo que não seja percebido como uma capitulação”, ressaltou Saeed.

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