
Entre 2026 e 2027, um El Niño de elevada intensidade pode impactar drasticamente os padrões de precipitação na América Latina, afetando tanto a disponibilidade de água quanto a produção de energia elétrica. Um levantamento realizado pela Moody’s aponta que nações como Brasil, Colômbia e Peru estão especialmente vulneráveis devido à significativa participação da energia hidrelétrica em suas matrizes energéticas.
As previsões elaboradas pela agência sugerem que haverá mudanças nos regimes de chuvas entre agosto de 2026 e fevereiro de 2027. O fenômeno climático pode causar secas em várias partes da América Latina, comprometendo os recursos hídricos em países que dependem desses reservatórios para uma parcela importante do fornecimento elétrico.
No contexto brasileiro, a energia hidrelétrica desempenha um papel crucial na matriz energética. Além disso, Colômbia e Peru também figuram entre os países destacados pela Moody’s como particularmente suscetíveis às variações na geração de eletricidade relacionadas ao regime das chuvas. O estudo faz uma comparação entre a contribuição da energia hídrica e outras fontes, como gás natural, energia solar, eólica e térmica.
Os efeitos do El Niño vão além da simples redução na oferta de energia. A Moody’s alerta que os preços da eletricidade podem sofrer grande volatilidade durante esses episódios, principalmente devido à disponibilidade e ao custo do gás natural. Com uma diminuição na geração hidrelétrica, o acionamento de termelétricas poderá ser necessário para compensar essa falta, aumentando a vulnerabilidade dos sistemas elétricos aos preços dos combustíveis fósseis.
Além disso, o fenômeno representa riscos significativos para a infraestrutura hídrica do Canal do Panamá. A Moody’s enfatiza que a escassez de chuvas pode impactar profundamente os níveis dos reservatórios essenciais para o funcionamento do canal, introduzindo uma nova dimensão logística aos desafios climáticos enfrentados.
A abrangência do El Niño não será homogênea por toda a região. Um mapa gerado com base em previsões climáticas indica áreas que devem apresentar precipitações abaixo da média, outras acima e ainda regiões com padrões mistos. As fontes utilizadas incluem o International Research Institute for Climate and Society, o serviço europeu Copernicus e agências meteorológicas e de recursos hídricos dos países envolvidos.
<spanPara as redes elétricas da América Latina, o maior desafio reside na combinação entre a diminuição da disponibilidade hídrica e a necessidade de recorrer a fontes alternativas para garantir o abastecimento energético. A gravidade desse impacto estará atrelada às condições específicas de cada bacia hidrográfica, conforme observa a própria Moody’s em seu estudo.
Esse cenário evidencia a vulnerabilidade das nações com matrizes elétricas altamente dependentes dos recursos hídricos frente às flutuações climáticas. No caso do Brasil, uma eventual queda prolongada nas chuvas poderia alterar significativamente a composição da geração elétrica, aumentar o uso das termelétricas e intensificar a sensibilidade do mercado energético às condições dos combustíveis disponíveis.
