quinta-feira, setembro 10

Calor sem precedentes antecedeu colapso de geleira que provocou enchentes fatais no Nepal

O colapso de uma geleira no Himalaia, que desencadeou as inundações repentinas e fatais na fronteira entre Nepal e Tibete, território autônomo da China, em 26 de agosto, ocorreu após um período de calor excepcional na região. Uma recente análise de dados meteorológicos indica que a área atingiu temperaturas sem precedentes para o fim de agosto, levantando novas hipóteses sobre a possível influência das mudanças climáticas no desastre.

A catástrofe deixou pelo menos 1.399 mortos. O paradeiro de mais de 5.500 pessoas é desconhecido, incluindo quase 800 estrangeiros que viajaram para fazer trilhas no Himalaia, assim como peregrinos hindus em uma jornada espiritual no monte sagrado Kailash, no Tibete.

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Segundo dados reconstituídos por Robert Rohde, cientista-chefe da organização independente Berkeley Earth, com sede na Califórnia, a temperatura média no local ficou próxima de 5°C entre 21 e 26 de agosto. Em mais de 55 anos de registros, a região não havia ultrapassado os 4°C durante esse mesmo período do ano. A reconstrução foi feita a partir do modelo climático ERA5, do observatório europeu Copernicus, e de informações de 14 estações meteorológicas instaladas em áreas de grande altitude.

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A temperatura média registrada nesses seis dias foi cerca de 1,8°C superior à observada em meados do século XX. A avalanche também ocorreu durante o quarto verão mais quente já registrado na região de Langtang desde o início da série de dados do Copernicus, em 1970.

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Sem o calor adicional provocado pelas mudanças climáticas, um padrão de temperaturas comparável “provavelmente só ocorreria uma vez a cada milhares de anos”, afirmou Rohde à agência de notícias AFP.

O resultado foi um enorme deslizamento de terra que liberou 200 milhões de metros cúbicos de rocha e gelo, volume de detritos suficiente para encher cerca de 100 estádios de futebol. Ao despencar em alta velocidade, essa massa transformou-se em um tsunami de água, rocha e sedimentos, matando as milhares de pessoas que estavam em seu caminho. 

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