
Na terça-feira, 21, o Parlamento do Reino Unido deu um passo significativo ao aprovar um projeto de lei que impede a venda de cigarros e vapes para indivíduos nascidos a partir de 2009, mesmo após atingirem a maioridade.
Essa nova legislação estabelece que a idade mínima para a compra de produtos de tabaco aumentará anualmente em um ano. Assim, os jovens dessa faixa etária nunca poderão comprar legalmente produtos que contenham nicotina durante toda a sua vida.
Denominado Projeto de Lei sobre Tabaco e Cigarros Eletrônicos, o texto ainda aguarda a sanção real, prevista para ocorrer em breve, mas já é considerado um divisor de águas na saúde pública britânica.
O governo do Reino Unido acredita que limitar o acesso ao tabaco desde cedo é uma das estratégias mais eficazes para prevenir o início do uso, reduzindo assim as doenças relacionadas e aliviando a pressão sobre o sistema de saúde nacional. Atualmente, o país possui um dos maiores impostos sobre tabaco em todo o mundo.
A nova legislação também foca na regulamentação dos cigarros eletrônicos. Ela confere ao governo maior controle sobre sabores, embalagens e outras características desses produtos.
<spanEspecialistas consideram essa decisão como um importante sinal. A cardiologista Jaqueline Scholz, assessora científica da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP), vê na ação britânica uma mensagem clara sobre os perigos associados à nicotina.
“Isso demonstra inequivocamente que a nicotina gera dependência, causa doenças e reduz a longevidade. Para a saúde pública, representa um avanço extraordinário”, afirma ela.
No entanto, ela ressalta que o sucesso dessa política dependerá de monitoramento rigoroso. “É claro que será necessário lidar com questões de contrabando, mas essa medida indica que não se trata de algo inofensivo”, observa.
No Brasil, desde 1990, é proibida a venda de cigarros tradicionais para menores de 18 anos e a comercialização de dispositivos eletrônicos é vetada. Apesar disso, o uso de vapes tem crescido devido a lacunas na fiscalização e à circulação irregular desses produtos.
