
Profissionais da área de saúde e psicologia alertam que atos simples do cotidiano podem diminuir a autonomia das pessoas idosas, transformando ações de cuidado em formas de controle. Isso pode impactar negativamente a autoestima, a participação social e o sentimento de pertencimento desse grupo.
Os especialistas apontam que o ageísmo — que é o preconceito relacionado à idade — continua presente nas interações familiares, nos atendimentos médicos e nas decisões diárias. Esse preconceito frequentemente limita as opções disponíveis para os idosos, mesmo na ausência de uma incapacidade real. Com isso, destaca-se como esses comportamentos podem gradualmente minar a dignidade e o envolvimento social de milhões de indivíduos que estão envelhecendo.
Os profissionais ressaltam que a diminuição da autonomia acontece de forma sutil, através de ações que muitas vezes não são percebidas como prejudiciais por cuidadores ou familiares. Quando as escolhas são feitas sem consultar a pessoa idosa ou quando se assume responsabilidades por ela, o ato de cuidar pode se tornar uma forma de controle, afetando a capacidade desse indivíduo de manter suas relações sociais e sua vida em comunidade.
As repercussões desse comportamento vão além da simples restrição nas escolhas: elas incluem danos à autoestima e ao senso de pertencimento, fatores essenciais para preservar a saúde mental e garantir a integração na comunidade. A perda precoce da autonomia pode resultar em isolamento social e na diminuição da participação ativa nas atividades diárias, conforme observam os especialistas.
É fundamental, segundo os profissionais entrevistados, reconhecer e combater atitudes ageístas tanto no ambiente familiar quanto em instituições. Dessa forma, é possível garantir a autonomia e a dignidade das pessoas idosas. As orientações sugerem que decisões relacionadas aos cuidados considerem sempre as preferências e opiniões dos idosos, assegurando seu direito à escolha sempre que viável.
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A discussão sobre o tema revela que o desafio vai além do campo clínico; trata-se também de uma questão cultural. É necessário reavaliar práticas e costumes que legitimam a retirada da autonomia sob a justificativa do cuidado, evitando assim a erosão gradual da participação social entre milhões de idosos.
