quinta-feira, junho 18

Prefeitura chilena é acusada de desperdício de US$ 13 milhões em adesivos da Copa por ONG

A administração municipal de Colina, no Chile, investiu US$ 13 milhões (cerca de R$ 66 milhões) na aquisição de álbuns e figurinhas referentes à Copa do Mundo de 2026. Informações reveladas pela ONG Fundação América Transparente na terça-feira, dia 16, indicam que as autoridades locais utilizaram uma estratégia legal para realizar essa compra sem a necessidade de passar pelo processo de licitação pública.

“Quem nunca sonhou em completar o álbum da Copa do Mundo? Na Corporação Municipal de Colina isso é levado muito a sério, mas com o dinheiro dos cidadãos!”, declarou a Fundação América Transparente por meio de suas redes sociais. A entidade informou que a prefeitura adquiriu um total de 1.700 álbuns e 47.600 figurinhas para promover “atividades recreativas e educacionais”.

+ O custo pode ser elevado, mas quem se importa? A febre do álbum de figurinhas da Copa já começou.

Além dos altos valores envolvidos, a ONG destacou que a prefeitura fracionou a compra em duas partes para evitar o processo de licitação pública.

Estratégia

Conforme a legislação chilena, as autoridades têm a possibilidade de realizar aquisições especiais através das chamadas compras ágeis, que são limitadas a até 100 UTM — uma unidade utilizada no país para cálculos fiscais e outras obrigações financeiras. Desde junho de 2026, cada UTM já ultrapassa os US$ 71 mil, estabelecendo que o limite atual para compras sem licitação é ligeiramente superior a US$ 7 milhões.

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Dado que os gastos da prefeitura de Colina superavam consideravelmente esse limite, a solução encontrada foi dividir a compra em duas partes iguais, cada uma com um custo estimado em US$ 6.497.876, evitando assim o teto da compra ágil.

“Essa prática é conhecida como fragmentação de compras. Trata-se de um atalho para contornar a concorrência e garantir falta de transparência ao escolher manualmente”, denunciou a ONG. “Em vez de abrir uma licitação, eles optaram por fracionar a aquisição. E quem foi o vencedor das duas transações? O mesmo fornecedor: Grupo Tradenix SpA”, completou.

Em resposta à emissora chilena T13, a prefeitura justificou que sua intenção ao comprar os álbuns era “fortalecer as interações sociais nas escolas e promover o bem-estar dos alunos”, afirmando que aproximadamente 12 mil estudantes foram beneficiados pela aquisição. “Essa atividade proporcionou aos jovens uma pausa das telas para interagir pessoalmente novamente, trocar figurinhas e aproveitar momentos juntos”, informou o comunicado.

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