
O Museu do Louvre atravessa uma fase crítica desde o notório roubo de joias que aconteceu no ano passado. Em um pronunciamento feito nesta quarta-feira, 17, o presidente da instituição, a mais visitada globalmente, declarou que o museu está “no limite” e enfrenta uma “barreira de investimentos”.
Christophe Leribault, que é historiador da arte e assumiu a presidência do Palácio de Versalhes, foi nomeado para liderar o Louvre em fevereiro deste ano. Sua missão é aprimorar a segurança e modernizar as instalações do famoso museu parisiense. Durante uma comissão no Senado francês, ele revelou: “É possível afirmar sem hesitação que, apesar de sua grandeza e do esforço diário de suas equipes, estamos diante de um Louvre à beira da exaustão”. Ele ainda acrescentou que “os equipamentos e as infraestruturas estão se aproximando do fim de seu ciclo”.
Leribault classificou a situação atual do museu como uma encruzilhada. Ele mencionou: “As urgências relacionadas ao edifício se acumulam e enfrentamos uma barreira de investimentos, algo que definitivamente não é agradável escutar”.
A mudança na presidência ocorreu em um contexto marcado por diversas crises que colocaram o maior museu do mundo sob os holofotes das controvérsias. Além do furto de obras avaliadas em mais de 100 milhões de dólares (cerca de R$ 489 milhões), surgiram denúncias sobre fraudes na venda de ingressos envolvendo funcionários e guias turísticos, além de greves por parte dos trabalhadores e problemas estruturais nas instalações.
No ano passado, um incidente causado pelo rompimento de um cano afetou uma das seções mais visitadas do Louvre, onde estão expostas importantes pinturas italianas dos séculos XV e XVI. Também em novembro, a galeria que abriga nove salas com cerâmica da Grécia Antiga precisou ser fechada devido à deterioração estrutural.
Em maio, uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre a proteção dos museus na França relatou que o Louvre havia negligenciado suas deficiências na segurança ao longo dos anos. Um relatório elaborado pelos parlamentares indicou que os problemas nos mecanismos de proteção já eram conhecidos antes do famoso roubo ocorrido em outubro de 2025, mas foram ignorados.
Após o furto dos tesouros do século XIX, a Assembleia Nacional criou uma comissão para avaliar as condições de segurança nos museus franceses. Sob a relatoria do parlamentar Alexis Corbière, o comitê afirmou que as autoridades do Louvre já tinham sido alertadas sobre as condições precárias relacionadas à proteção do espaço em relatórios anteriores.
Corbière destacou que a administração decidiu priorizar os “objetivos de projeção e influência”, relegando as falhas em segurança para um segundo plano. Essa abordagem foi considerada prioritária para um local que recebe cerca de nove milhões de visitantes anualmente. O Tribunal de Contas francês corroborou essa análise ao afirmar que houve descaso com a segurança e manutenção da estrutura em favor de “operações visíveis e atraentes”.
