quarta-feira, junho 24

Candidato progressista admite derrota para Abelardo de la Espriella na Colômbia

Após três dias do segundo turno mais disputado na história da Colômbia, o candidato de esquerda Iván Cepeda aceitou formalmente a vitória do conservador Abelardo de la Espriella na corrida presidencial. Em um pronunciamento realizado nesta quarta-feira, 24, o senador declarou que respeita o resultado oficial e reconheceu seu adversário como o novo presidente do país.

“Optei por aceitar o resultado deste processo eleitoral. Abelardo de la Espriella será o novo presidente da República”, anunciou Cepeda ao se dirigir à nação. O parlamentar enfatizou que a esquerda adotará uma postura de “oposição democrática e construtiva” durante o mandato que se inicia.

A declaração de Cepeda ocorreu após a conclusão da apuração oficial dos votos pela Registradoria Nacional. De acordo com este órgão, os resultados preliminares e o escrutínio final apresentaram uma coincidência impressionante de 99,997%, um índice que as autoridades destacaram como prova da integridade do processo eleitoral.

Os dados oficiais indicam que De la Espriella obteve 12,95 milhões de votos, correspondendo a 49,66% dos votos válidos, enquanto Cepeda recebeu 12,70 milhões, ou 48,70%, resultando em uma diferença aproximada de 250 mil votos.

Transição sob novos rumos

A aceitação da derrota por parte de Cepeda contrasta com a postura recente do presidente Gustavo Petro. O chefe do Executivo havia levantado questionamentos sobre os resultados eleitorais e defendido que a margem estreita exigia cautela antes de declarar um vencedor.

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<spanNo entanto, na terça-feira, Petro anunciou o início do processo de transição para o novo governo. Em publicações nas redes sociais, ele comunicou que iniciava sua retirada do poder e mencionou a possibilidade de uma “resistência pacífica” para proteger seu legado.

“Inicia-se a transição e minha saída, talvez acompanhada por uma resistência pacífica”, escreveu ele.

Ainda assim, mesmo com a aceitação formal do resultado, Petro continuou a levantar suspeitas sobre o processo eleitoral. Ele alegou, sem apresentar evidências concretas, que houve influência do ex-presidente americano Donald Trump nas eleições colombianas e sugeriu que esta questão deveria ser examinada sob uma perspectiva internacional.

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O presidente também fez defesa das reformas implementadas durante sua administração e ressaltou que sua saída não implica no fim do projeto político da esquerda colombiana.

Papel da oposição reforçado

A despeito da derrota nas eleições presidenciais, Cepeda encerra sua campanha com a maior votação já registrada por um candidato de esquerda na Colômbia. Com 12,7 milhões de votos conquistados, o senador fortaleceu a posição do Pacto Histórico como a principal força oposicionista ao futuro governo.

No pleito legislativo realizado em março passado, a coalizão assegurou 25 das 102 cadeiras no Senado e 42 das 182 vagas na Câmara dos Representantes, consolidando-se como a maior bancada individual no Congresso colombiano, embora sem maioria absoluta.

Pela legislação vigente na Colômbia, Cepeda assumirá a cadeira no Senado reservada ao candidato derrotado no segundo turno presidencial. A partir desse cargo, ele deverá liderar a oposição ao governo de Abelardo de la Espriella nos próximos quatro anos.

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