quinta-feira, setembro 10

Coreia do Sul envia equipe aos Emirados e avalia operação militar em Ormuz

A Coreia do Sul enviou uma equipe de avaliação aos Emirados Árabes Unidos para examinar as condições de segurança e as possibilidades de atuação no Estreito de Ormuz. A viagem, realizada no fim de semana, foi confirmada pelo Ministério da Defesa sul-coreano. O governo afirma, porém, que ainda não decidiu se atenderá ao pedido de apoio militar apresentado pelos Estados Unidos.

A possibilidade de participação sul-coreana nas operações lideradas por Washington durante a guerra com o Irã já enfrenta resistência. Organizações civis realizaram um protesto em Daejeon contra o envio de tropas ao estreito. Parlamentares do governista Partido Democrático da Coreia também se manifestaram contra a medida. Para eles, até uma missão sem envolvimento direto em combates poderia representar a entrada do país na guerra americana contra o Irã.

O Ministério da Defesa informou que a equipe enviada aos Emirados analisará as condições operacionais na região. A pasta também negou que Washington tenha dado a Seul um prazo até novembro para mandar equipamentos ou militares: “Não é verdade que os Estados Unidos tenham solicitado o envio de nossos recursos ao Estreito de Ormuz com um prazo específico”, disse à imprensa um funcionário do ministério.

Entre as alternativas estudadas estão o uso de aeronaves de patrulha marítima P-8A Poseidon, o envio de especialistas em desativação de explosivos e a utilização de sistemas não tripulados para detectar e retirar minas. O navio de apoio logístico Soyang também chegou a ser considerado, mas perdeu prioridade devido ao tamanho da tripulação necessária e ao tempo de uso da embarcação.

Continua após a publicidade

Especialistas afirmam que a missão aos Emirados não significa que o envio de forças esteja decidido. Yu Ji-hoon, pesquisador do Instituto Coreano de Análises de Defesa, disse que a equipe deverá avaliar a necessidade, a eficácia e os riscos de uma possível operação:

“A avaliação deve ser vista como parte do processo destinado a determinar se uma mobilização ou outra forma de contribuição é necessária e, em caso afirmativo, qual seria o nível viável”.

Continua após a publicidade

Segundo Yu, os Emirados poderiam servir como base de retaguarda para ações de vigilância marítima, segurança da navegação, desativação de explosivos e apoio logístico. Esse modelo permitiria que os militares sul-coreanos atuassem em missões defensivas ou sem combate direto, longe da linha de frente.

Uma aeronave P-8A poderia vigiar uma área extensa, enquanto especialistas e equipamentos não tripulados atuariam contra minas e outros artefatos explosivos. O pesquisador ressalta que a análise dessas possibilidades não representa uma decisão sobre seu uso.

Continua após a publicidade

Shin Beom-chul, pesquisador sênior do Instituto Sejong e ex-vice-ministro da Defesa, defende que o governo examine também outras formas de atender ao pedido americano, como o fornecimento de armas ou a utilização da Unidade Cheonghae. O grupo atua em águas próximas ao Oriente Médio desde 2009, principalmente no combate à pirataria e na proteção de navios comerciais.

Para Shin, uma eventual missão poderia melhorar as relações de Seul com Washington, mas não resolveria as divergências entre os dois aliados. Entre os assuntos pendentes estão o controle operacional das forças em tempos de guerra, a política para a Coreia do Norte e o projeto sul-coreano de construir submarinos com propulsão nuclear.

Continua após a publicidade

O pesquisador também relaciona a discussão ao risco de a Coreia do Sul ficar fora de futuras negociações diretas entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte. Uma contribuição militar, segundo ele, poderia aproximar Seul de Washington e servir como argumento para um pedido de ajuda americana caso a Península Coreana enfrente uma nova crise.

O envio de militares ao exterior ainda precisaria ser aprovado pela Assembleia Nacional. Missões anteriores passaram pelo mesmo procedimento, como a mobilização da Unidade Zaytun para o Iraque durante o governo de Roh Moo-hyun. Na época, a decisão provocou forte oposição política e popular.

Publicidade