
Nesta quarta-feira, 27, a polícia espanhola realizou uma busca nas instalações do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), liderado pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez, como parte de uma investigação sobre possíveis pagamentos ilegais. Essa ação representa mais um desafio para o governo progressista, que já enfrenta acusações de corrupção ligadas a aliados e familiares do premiê.
Durante uma coletiva de imprensa em Roma, Sánchez afirmou: “Temos profundo respeito pelo sistema judiciário, vamos colaborar com os tribunais e o Partido Socialista reitera seu compromisso em agir com rigor caso surjam novas evidências de condutas inadequadas.”
A Guarda Civil comunicou à agência de notícias Associated Press que as investigações estão sob a supervisão do juiz Santiago Pedraz, da Audiência Nacional. Ele investiga eventuais irregularidades associadas a Leire Díez, ex-militante do PSOE, além de outras pessoas. O juiz procura entender se Díez agia por conta própria ou sob diretrizes do partido e do governo de Sánchez.
Os investigadores da Unidade Central Operativa (UCO) também inspecionaram o escritório em Madri de Gaspar Zarrías, ex-vice-presidente do governo regional da Andaluzia, que reconheceu ter contratado Díez. Além disso, foram realizadas buscas nas residências do ex-secretário de Organização do PSOE, Santos Cerdán, e do empresário Javier Pérez Dolset.
A polícia destacou que as buscas foram focadas nesse caso específico e não resultaram em uma operação em massa nos escritórios governamentais. Montse Minguez, porta-voz do PSOE, declarou à Rádio Catalunya que o partido está tranquilo e colaborando plenamente com a justiça, assegurando que fornecerá todas as informações solicitadas.
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Escândalos em série
Numa recente decisão judicial, foi revelado que o ex-primeiro-ministro socialista José Luis Rodríguez Zapatero, próximo aliado de Sánchez, está sob investigação por suspeitas de envolvimento em uma rede de tráfico de influência e lavagem de dinheiro. Zapatero governou entre 2004 e 2011 e nega qualquer envolvimento irregular.
No último mês de dezembro, Leire Díez e outros dois indivíduos — Vicente Fernández, ex-presidente da Sepi (entidade responsável por empresas públicas), e Antxon Alonso, proprietário da Servinabar — foram detidos sob acusações relacionadas à malversação de recursos públicos e organização criminosa. Eles foram soltos posteriormente sob condições cautelares.
Além disso, os ex-ministros dos Transportes no governo Sánchez, Santos Cerdán e José Luis Ábalos, também se tornaram alvos de investigações no ano passado devido a supostas ligações com um esquema de propinas que teve início durante a pandemia da Covid-19.
