
Um grupo de WhatsApp, criado por líderes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), para engajar servidores na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi desativado após a divulgação do caso pela coluna Radar, da VEJA. No programa Ponto de Vista, a repórter Laísa Dall’Agnol entrevistou Daniel Gullino, que trouxe detalhes sobre o ocorrido, enquanto José Benedito da Silva comentou que a formação do grupo foi um erro tanto político quanto administrativo, especialmente em um período onde há uma supervisão mais rigorosa sobre as atividades dos órgãos públicos no contexto eleitoral.
Funcionamento do grupo “INSS com Lula”
Conforme relatado por Gullino, a equipe de Radar teve acesso ao grupo denominado “INSS com Lula”, que foi criado por Ana Márcia Fassbender, chefe de gabinete da presidência do INSS. A administração do grupo era compartilhada entre ela e Leonardo Bittencourt, o diretor de Benefícios e Relacionamento com o Cidadão.
A investigação revelou que o grupo tinha como função coordenar atividades em apoio à candidatura do presidente, incluindo a organização de um encontro em Brasília e a distribuição de camisetas com a mensagem “Previdência com Lula”, confeccionadas por meio de uma arrecadação entre os membros.
Além disso, Gullino mencionou que alguns servidores se sentiram desconfortáveis ao serem convidados para fazer parte do grupo, pois os convites eram enviados por superiores. Relatos indicam que até mesmo aqueles sem afinidade política com o governo decidiram participar temendo retaliações.
Motivos para o encerramento do grupo
Após a reportagem da VEJA ser publicada, Bittencourt notificou os membros sobre o fim das atividades do grupo. De acordo com Gullino, ele esclareceu na mensagem que a criação do espaço ocorreu em horários fora do expediente e utilizando números pessoais, argumentando que não havia vínculo institucional entre essa iniciativa e o INSS. Ele também refutou qualquer intenção de coagir servidores a se envolver nas ações promovidas.
Anteriormente à veiculação da matéria, o INSS comunicou à redação da VEJA que não faria comentários sobre ações individuais de seus servidores fora da estrutura oficial do órgão e assegurou que qualquer denúncia formal seria devidamente investigada.
Críticas à iniciativa
<pJosé Benedito da Silva expressou sua opinião sobre o caso, afirmando que a criação deste grupo não trouxe benefícios práticos para a campanha presidencial e poderia ser prejudicial à imagem do governo. Ele destacou: “Faltou alguém dizer: ‘Que ideia ruim é essa?’”.
O editor ainda ressaltou que vincular diretamente o nome do presidente ao INSS pode gerar um efeito oposto ao desejado, especialmente considerando os desafios administrativos enfrentados pelo instituto, que impactam negativamente a percepção pública. Para ele, a principal contribuição que o INSS poderia oferecer ao governo seria aprimorar seus serviços prestados.
“O INSS poderia auxiliar Lula solucionando problemas e eliminando as filas de pessoas aguardando suas aposentadorias”, comentou ele. Também enfatizou a necessidade de prevenir novas fraudes contra aposentados e pensionistas para fortalecer a credibilidade da entidade.
Possíveis repercussões políticas do caso
Benedito alertou que este incidente pode ser explorado politicamente pela oposição devido à impressão de conotação eleitoral dentro de um órgão recentemente investigado por fraudes. Na visão dele, ter um grupo estruturado para apoiar Lula dentro do INSS pode alimentar uma narrativa negativa sobre as operações da autarquia. “Isso transmite uma mensagem desfavorável e pode ser utilizado contra nós”, concluiu.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (veja o vídeo acima). Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial sob supervisão humana.
