quinta-feira, junho 18

Lula nega ser esquerdista em gravação divulgada de diálogo com líderes do G7

No encontro do G7 na França, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou, em um diálogo descontraído com a diretora do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, e o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, que nunca se identificou como esquerdista. Ele enfatizou sua crença de que o caminho ideal para o mundo é o “caminho do meio”. Esta conversa foi divulgada nas redes sociais por meio de um áudio vazado.

Lula afirmou: “O mundo não é de esquerda, mas sim do caminho do meio. Jamais me considerei esquerdista. Eu era líder sindical e mantinha excelentes relações com sindicatos da Alemanha, assim como boas conexões com aqueles da Itália e da Espanha.”

Essa declaração foi feita fora do Brasil e ocorre em um momento crucial, já que Lula se prepara para disputar a reeleição, enfrentando como principal adversário o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que representa a direita bolsonarista. Outros candidatos centristas tentam conquistar espaço na corrida eleitoral, mas têm encontrado dificuldades em meio à polarização política. Para reforçar sua narrativa de centro, Lula — reconhecido como o presidente mais à esquerda da história brasileira — optou por manter o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSB) como seu vice, repetindo a estratégia vencedora de 2022 ao prometer um governo de frente ampla.

Em outro trecho que foi vazado durante a cúpula do G7, Lula conversou com Lee Jae-myun, líder da Coreia do Sul, e aproveitou para criticar a postura do governo dos Estados Unidos durante a presidência de Donald Trump. Embora tenha afirmado que “não gosta de conflitos” e que não possui divergências com outros países, logo em seguida ele expressou: “Não suporto a conduta do governo americano”.

As declarações foram capturadas na quarta-feira, 17, por uma equipe da agência Associated Press enquanto os líderes se preparavam para iniciar a reunião perto dos microfones.

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<pUm dia antes, Lula já havia criticado abertamente durante seu discurso oficial “o protecionismo e o unilateralismo”, além de defender a soberania dos países no combate ao crime transnacional. Essa fala ocorreu praticamente diante de Trump, que estava sentado no lado oposto da mesa.

A crítica direta fazia referência às ameaças dos Estados Unidos de aplicar uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e à decisão de rotular o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.

Na chamada “foto de família” com todos os líderes e convidados na terça-feira, 16, Lula e Trump não trocaram cumprimentos. Apesar desse desencontro na fotografia oficial, auxiliares informaram que o presidente brasileiro antecipou sua chegada à reunião do G7 na tentativa de organizar um encontro bilateral com Trump.

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