quinta-feira, junho 18

Advogado que garantiu delação de Mauro Cid pode assumir defesa de Vocaro

O advogado Cezar Bitencourt, que atuou na defesa do tenente-coronel Mauro Cid em um caso relacionado a uma tentativa de golpe, está sendo considerado para representar o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Essa possibilidade surge após duas tentativas malsucedidas de fechar um acordo de delação premiada. A inclusão de Bitencourt nas investigações ligadas ao Banco Master ainda está em processo de negociação.

Com experiência consolidada na advocacia, Cezar Bitencourt é também professor de Direito Penal. Em 2017, ele defendeu o deputado federal Rodrigo Rocha Loures, conhecido como “homem da mala”, que foi acusado de intermediar um pagamento de 500.000 reais em propina da JBS ao ex-presidente Michel Temer. Esse caso se destacou como um dos últimos grandes desafios midiáticos do advogado antes do recente envolvimento com a questão golpista.

Em 2023, Bitencourt voltou a ganhar destaque ao assumir a defesa de Mauro Cid, após a saída de duas equipes jurídicas que o representavam anteriormente. O mesmo cenário se repete agora com Vorcaro, que já dispensou dois advogados renomados: José Luis Oliveira Lima e Roberto Podval.

A atuação de Bitencourt na defesa de Mauro Cid foi crucial para que o ex-assessor bolsonarista conseguisse firmar uma colaboração premiada, a qual teve impacto significativo na condenação e prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O advogado enfrentou momentos críticos onde a continuidade do acordo estava em risco, mas conseguiu garantir que os benefícios permanecessem para seu cliente.

Durante o período em que as delações premiadas começaram a ser populares no Brasil, especialmente durante a Operação Lava Jato, Bitencourt manifestou publicamente sua oposição ao uso desse recurso. Em um artigo publicado em 2017 no portal Consultor Jurídico, ele descreveu as colaborações como “figura esdrúxula” e criticou a ideia de recompensar criminosos que delatam seus parceiros para obter vantagens pessoais. “Não se pode admitir, eticamente, sem qualquer questionamento, a premiação de um delinquente que, para obter determinada vantagem, ‘dedure’ seu parceiro”, afirmou o advogado.

A segunda tentativa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro em firmar um acordo de delação premiada foi negada tanto pela Polícia Federal quanto pela Procuradoria-Geral da República (PGR). As autoridades alegaram que as informações apresentadas por Vorcaro não teriam relevância suficiente para as investigações em curso. Agora existe a possibilidade de Cezar Bitencourt ser designado para fortalecer a defesa do dono do Banco Master. Essa informação foi noticiada pelo Estadão e confirmada pela revista VEJA.

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