quinta-feira, maio 28

Bolívia encerra missão diplomática da embaixadora colombiana em meio a crise nas relações entre os países

Nesta quarta-feira, 20, o governo da Bolívia anunciou a declaração de Elizabeth García, embaixadora da Colômbia, como persona non grata, determinando sua expulsão do território boliviano. O comunicado foi divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores e ocorre em um contexto de crescente tensão diplomática, impulsionada por recentes declarações do presidente colombiano Gustavo Petro em relação aos protestos que têm afetado a Bolívia.

A decisão de expulsar García é justificada por La Paz como uma reação à “constante interferência” de Petro e ao apoio a um “movimento desestabilizador”, que, segundo as autoridades bolivianas, compromete a democracia no país. A chancelaria informou que a embaixadora terá um prazo, conforme estipulado pelas normas internacionais, para encerrar suas atividades antes de deixar a Bolívia.

No comunicado oficial do Ministério das Relações Exteriores, é enfatizado que o Estado Plurinacional da Bolívia considera fundamental que qualquer avaliação ou comentário externo sobre a situação interna seja feito com responsabilidade e respeito às instituições democráticas. Entretanto, o texto ressalta que essa medida não implica uma ruptura total das relações com Bogotá.

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Manifestações

A crise nas relações diplomáticas coincide com uma série de manifestações que estão ocorrendo na Bolívia. Os protestos, liderados por sindicatos, trabalhadores rurais e grupos comunitários, tiveram início em abril e inicialmente pediam a reversão de políticas de austeridade e aumentos salariais. Com o passar das semanas, as demandas se ampliaram para incluir exigências pela saída do presidente Rodrigo Paz.

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Rodrigo Paz, eleito no final de 2025, pôs fim a quase 20 anos de domínio do partido Movimento para o Socialismo (MAS), representado historicamente pelo ex-presidente Evo Morales, que atualmente se encontra foragido com um mandado aberto por tráfico de menores. Durante seus primeiros seis meses à frente da presidência, sua administração enfrentou desafios tão intensos que precisou mobilizar as forças armadas para assegurar o funcionamento de rotas essenciais em diversas áreas da Bolívia.

Recentemente, o vice-secretário de Estado dos Estados Unidos, Christopher Landau, expressou preocupação sobre a possibilidade de um golpe contra Paz. Ele comentou: “Não é aceitável ter um processo democrático onde ele (o presidente) foi eleito massivamente pelo povo há menos de um ano e agora enfrenta manifestantes violentos nas ruas”.

<spanNesse contexto tumultuado, Petro recorreu às redes sociais para descrever os protestos como uma “insurreição popular” diante da “soberania geopolítica”. Ele se ofereceu para mediar a crise política na Bolívia e defendeu que “não deveria haver presos políticos em nenhuma parte das Américas”.

A mensagem de Petro foi interpretada por diversos setores políticos como um apoio indireto ao ex-presidente Morales. Este último também fez questão de manifestar seu agradecimento ao colombiano por defender “a vida daqueles que lutam contra opressão política, econômica, social e cultural” em uma postagem no X (ex-Twitter).

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