quinta-feira, maio 28

Entenda o ‘Super El Niño’: um fenômeno que pode intensificar catástrofes climáticas em 2026

Continua após a publicidade

Pesquisadores têm alertado sobre a possibilidade de um fenômeno climático extremo conhecido como Super El Niño, uma forma mais intensa do evento que se caracteriza pelo aquecimento anômalo das águas do Pacífico. Em um comunicado emitido no final de abril, o Serviço Meteorológico do Reino Unido indicou que “a confiança está aumentando de que este fenômeno pode estar no extremo superior da faixa histórica”, prevendo que será “o El Niño mais forte deste século até o momento”. Isso sugere que os efeitos climáticos podem ser ainda mais severos do que o habitual.

Continua após a publicidade

A manifestação do El Niño ocorre quando os ventos que normalmente direcionam as correntes quentes para o oeste perdem força ou mudam sua trajetória, resultando no aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico tropical central e oriental. Esse fenômeno tende a ocorrer a cada dois a sete anos e pode durar até um ano. O grande desafio é que ele se desenvolverá em um planeta já aquecido, com temperaturas atingindo novos recordes consecutivos.

Continua após a publicidade

Um Super El Niño intenso pode fazer com que a temperatura média global ultrapasse o aumento de 1,5°C em comparação aos níveis pré-industriais. Este é um limite crítico e suas ramificações podem ser catastróficas. Durante o Super El Niño de 1877 a 1878, observou-se uma série de secas prolongadas, colapsos nas colheitas, chuvas intensas e extrema fome ao redor do mundo. Esse cenário devastador resultou na morte de mais de 50 milhões de pessoas em regiões como Índia, China e Brasil.

Super El Niño: informações essenciais

+ Preocupação crescente com um “super El Niño” histórico?

A ciência avançou consideravelmente nos últimos anos, proporcionando métodos mais eficazes para monitorar esses fenômenos. Contudo, a situação atual é alarmante. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa) informou na última quinta-feira, 14, que há uma probabilidade de 37% do Super El Niño – um termo popularizado na mídia, não utilizado por especialistas – ocorrer entre novembro deste ano e janeiro de 2027.

Continua após a publicidade

Cada ocorrência de El Niño possui características distintas e seus impactos variam ao longo da história. Em geral, esse fenômeno tende a provocar secas severas e aumentar as temperaturas na Austrália, no sul e centro da África, na Índia e em partes da América do Sul — no Brasil, isso resulta em uma variedade de efeitos climáticos desde secas extensas no nordeste até tempestades intensas e inundações no sul.

Por outro lado, chuvas torrenciais podem afetar o sul dos Estados Unidos, regiões do Oriente Médio e partes do centro-sul asiático. Agora imagine como seria esse fenômeno em um mundo já enfrentando as consequências de eventos climáticos extremos — como as inundações recentes no Rio Grande do Sul, reflexo da intensificação das mudanças climáticas. A principal preocupação gira em torno da segurança alimentar, com riscos iminentes de diminuição na produção agrícola e aumento nos preços dos alimentos, impactando especialmente os países mais vulneráveis. Tal receio não é infundado.

Publicidade