quarta-feira, julho 22

Crise na Ucrânia leva Zelensky a trocar ministros da Defesa e comandante do Exército durante conflito ativo

Na terça-feira, 21, o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, anunciou a demissão do comandante-geral das Forças Armadas, Oleksandr Syrskyi. Essa decisão encerra uma série de especulações e atende, em parte, às demandas de protestos que tomaram conta das ruas de Kiev e de outras localidades. O novo comandante será Mykhailo Drapatyi, veterano de combate de 43 anos.

Em uma mensagem divulgada no Telegram, Zelensky expressou sua gratidão a Syrskyi pelo seu trabalho à frente do Exército e confirmou a nova nomeação. “Agradeço a Oleksandr Syrskyi e a todos os nossos soldados pelas firmes posições defendidas pela Ucrânia na linha de frente”, afirmou.

Crise política

A mudança no alto comando militar ocorre em um contexto de crise política, que se intensificou na semana anterior com a saída do popular ex-ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov. Informações sugerem que sua demissão foi causada por desavenças com Syrskyi.

Fedorov chegou a admitir divergências com o comandante. “Quando o presidente declarou que não tinha planos para substituir Syrskyi, eu disse que aprenderia a trabalhar com ele”, comentou em uma coletiva. “No entanto, todas as nossas propostas foram rejeitadas.”

<pApesar disso, Syrskyi negou qualquer conflito com Fedorov, enfatizando que considerava sua relação como estritamente profissional e até pediu desculpas caso tivesse ofendido o ex-ministro.

Fedorov, de 35 anos, ocupava o cargo desde janeiro e se destacou por implementar reformas significativas no Ministério da Defesa, ampliando o uso de tecnologia nas operações militares e intensificando as ações contra a corrupção. Ele também foi responsável por iniciativas como o programa “Exército de Drones”, que promoveu o desenvolvimento de veículos não tripulados.

Onda de protestos

A saída do ex-ministro provocou reações dentro das Forças Armadas. O vice-comandante da Força Aérea, Pavlo Yelizarov, renunciou em protesto à exoneração, descrevendo-a como “um grande mal para a capacidade defensiva do país”.

Nos dias subsequentes, milhares de ucranianos saíram às ruas para exigir a volta de Fedorov e a destituição de Syrskyi. Os organizadores dos protestos emitiram um ultimato ao presidente Zelensky nesta segunda-feira, ameaçando iniciar paralisações em larga escala caso suas demandas não fossem atendidas até sexta-feira.

<p“Se até sexta-feira, 24 de julho, Syrskyi não tiver sido afastado e Fedorov não for nomeado novamente como Ministro da Defesa, iniciaremos um protesto nacional aberto”, postou Dmytro Koziatynsky, veterano do exército, em suas redes sociais.

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Os coordenadores dos atos em várias cidades divulgaram um cronograma prevendo uma última manifestação pública na segunda-feira. Após isso, haverá uma pausa entre terça e quinta para aguardar resposta do governo. Se as exigências forem ignoradas, os protestos serão retomados permanentemente.
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